Vinte e três de agosto de 1955,
pode ser um dia como todos os outros, mas para mim não é um dia comum. É o dia
do meu aniversário de 60 anos. Nem acredito...
Mais de meio século de vida, e posso dizer “Que vida!”... Alegrias mais que tristezas, saúde mais que
doença, sonhos que se realizaram conforme sonhados, enfim tenho muito mais a
agradecer a Deus do que pedir e reclamar. Lamentar tempo perdido nunca, pois
cada minuto da minha vida foi bem aproveitado, não deixo
o tempo passar em vão, para cada momento uma tarefa, em cada tarefa uma lição,
um aprendizado. Estou envelhecendo é verdade. A velhice é um processo pessoal,
indiscutível e inevitável, para qualquer ser humano, na evolução da vida. Ao
tornar-me uma sexagenária fiz as contas e descobri que tenho menos tempo para
viver daqui pra frente do que já vivi até agora. O “HOJE” para mim é muito
importante. Quero daqui pra frente viver cada dia como se fosse o último, de
bem comigo mesmo e de bem com os outros, sempre otimista e acreditando que quem
sabe faz a hora, não espera acontecer. Frustrações muitas, pois acredito ser
essencial para evolução do ser. Quero levantar um brinde à vida, fortalecer-me
de boas lembranças e reestruturar um novo dia. Já dizia Renato Russo em sua música PAIS E
FILHOS: “ é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”... Assim será, viver o agora, viver bem, ser
mais seletiva aprender a dar prioridades e não me chatear com bobagens. Certeza
de uma coisa, aos 60 anos indecisão não pode mais fazer parte do meu dia a dia,
pois essa idade para mim chama-se “PRESENTE”, e tem a duração do instante que
passa... Sou agradecida a Deus por ter vivido o suficiente para ver meus filhos
crescidos e bem estruturados. Realizações muitas, sonhos ainda tenho, não sei
se terei tempo de realizá-los. Parar de sonhar é morrer em vida, isso não quero
pra mim, quero ainda ver meus netos formados e casados, se vou alcançar não
sei, mas não deixa de ser um sonho. Aos
meus pais só tenho a agradecer, com toda sua humildade me ensinou a valorizar o
“SER E NÃO O TER”. Amo minha profissão. Sou realizada como mulher, esposa, mãe e avó. Fui agraciada por quatro netos
maravilhosos razão da minha vida, duas noras que amo muito e um genro
maravilhoso. Saudades... de meus pais e minha irmã Guiomar que se foram tão
cedo. Medo confesso que tenho, pode ser até bobagem, tenho medo de voar de
avião, sinto tanto por isso, pois se não fosse esse medo que me devora eu teria
vivido mais tempo perto de minha irmã Mônica que eu amo tanto. Amigos são muitos e guardo do lado esquerdo do
peito, dentro do coração. Maior realização da minha vida, meus três filhos
maravilhosos: Charles, Luciana e Augusto. Ainda tenho um desejo, sei que não é
fácil, pois ter uma velhice tranquila
não é pra qualquer um, pois é a lei da vida, junto com ela vem as
enfermidades e a solidão, não serei mais a mesma, tudo vai acabando lentamente,
faz parte do ciclo da vida. Estou feliz por ser uma sexagenária, pronta e com
disposição para viver mais 30 anos... Se Deus assim o permitir!